Quem já ouvi dizer que vinho bom é vinho velho? Ou que quanto mais tempo ele passa na garrafa, melhor ele fica?
Todas as questões podem ser uma verdade, no entanto, não correspondem a todos os tipos de vinho.
Um vinho para amadurecer em barricas e envelhecer nas garrafas precisam ser mais estruturados, robustos e ricos em taninos. E isso se aplica apenas para vinhos mais raros e muito especiais.
Estes processos tornam o vinho mais complexo, interferindo no sabor, aroma e cor da bebida.
Maturação e envelhecimento.
A maturação é o processo que pode ocorrer durante a elaboração de um vinho, entre os períodos de fermentação e envase da bebida. Nesse estágio a bebida pode ser armazenada em barris de carvalho, foudres (tonéis de madeira), tanques de inox, entre outros.
O vinho deve estar ao abrigo da luz, com temperatura entre 12 e 18 graus e umidade relativa do ar superior a 75%.
Nesse processo, o vinho evapora e esse espaço é preenchido por oxigênio, o que será responsável por transferir características de aroma e sabor a bebida. O tempo de maturação vai depender do resultado que o enólogo espera. De maneira geral, os vinhos tintos passam por maior período de estágio de maturação do que os vinhos brancos.
O envelhecimento do vinho é o processo indicado para rótulos específicos. Este processo torna a bebida mais equilibrada, com taninos mais suaves, redondos e acidez capaz de conservar o frescor da fruta. Esse processo pode ocorrer nas caves de bodegas ou em adegas climatizadas.
Vinhos de guarda precisam ser armazenados em ambientes com temperaturas estáveis, entre 16ºC a 17ºC. Também é importante que o local não seja muito úmido e não sofra com trepidações – como acontece dentro da geladeira, por exemplo, em vista do motor do refrigerador. Se quiser saber mais sobre armazenamento, confira aqui!
É necessário também deixar as garrafas na horizontal, de forma que o líquido esteja em contato constante com a rolha. Assim, ela não resseca, o que impede a passagem do oxigênio e contato do ar com o vinho – é, justamente, o processo de oxidação que faz com que a bebida vá perdendo suas nuances e, eventualmente, oxide.
Estes processos também influenciam diretamente o valor agregado de cada vinho.
Tipos de armazenamento para o início da evolução do vinho
Madeira
O carvalho francês e o americano são as principais madeiras, apesar de o raulí também ser utilizado nos vinhos pipeños do Chile.
Carvalho Francês: A França é a maior fonte de carvalho da Europa e lá estão as madeiras mais requisitadas e sofisticadas do mundo. O país apresenta uma legislação rígida em torno do corte do carvalho, visando a perpetuação da espécie e também a garantia da qualidade do produto. Os vinhos maturados nesse barril adquirem notas mais sutis e picantes (especiarias), com texturas mais sedosas, conferindo mais elegância aos vinhos.
Carvalho Americano: As madeiras encontradas na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, também são muito utilizadas na produção de vinho pelo mundo. São mais comuns e mais acessíveis que os franceses. Os barris fabricados a partir da madeira norte-americana são reconhecidos por seu potencial aromático, agregando notas adocicadas aos vinhos, que variam também de acordo com o ponto de tosta.
Tanques de aço
Por serem herméticos e de um material inerte, os tanques de aço inoxidável funcionam perfeitamente para conter aromas quase sem exposição ao oxigênio. No entanto, o vinho levará mais tempo para atingir os níveis de evolução que consegue com a madeira e com outros materiais porosos como a argila, a porcelana e o concreto.
O líquido maturado nesses tanques se caracterizam pelo frescor, um aroma mais frutado e de textura mais leve.
Ânforas ou ovos de concreto
Por serem fabricados com concreto ou outro material poroso, o vinho fica exposto a baixos níveis de aeração. Sua forma ovalada (e sem cantos) faz com que o vinho esteja constantemente em movimento, criando uma espécie de redemoinho que nem os barris e nem os tanques de aço poderiam desencadear devido à sua forma.
Então o vinho é mais homogêneo e fermenta em contato com suas borras, ganhando novos sabores e texturas.
Agora que você já sabe a diferença entre maturação e envelhecimento e as características que podem ser observadas, de acordo com cada processo, se tiver oportunidade experimente e tire você as suas conclusões. Você verá que é muito interessante reconhecer os detalhes presentes em uma bebida jovem ou de guarda.